Fotos clicadas por mim e eventualmente por pessoas a quem estarei convidando para aqui nos darem a honra de compartilharem conosco as suas clicadas. Como fundo, poesia escrita...
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terça-feira, 26 de junho de 2012
Dois patinhos
Dois patinhos
Brasil, Paraná, Curitiba
(Ópera de Arame)
Foto de Zé Paulo
Junho/12
Dois patinhos na lagoa
Começaram a nadar, a nadar
Quando viram uma minhoca
Começaram a puxar
Puxa pra cá, puxa pra lá
Cuidado pra minhoca não arrebentar
Puxa pra cá, puxa pra lá
Cuidado pra minhoca não arrebentar
Arrebentou!!!!!
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Zé Paulo
Banco
Banco
Brasil, Paraná, Matinhos, Prainha
Foto de Zé Paulo
Junho/12
Deus é triste.
Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.
A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.
A tristeza de Deus é como Deus: eterna.
Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.
Carlos Drumond de Andrade
(Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)
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Zé Paulo
Fim de tarde nublada
Fim de tarde nublada
(Parque Tanguá)
Brasil, Curitiba, Paraná
Foto de Zé Paulo
Abril/12
Movimento
Se tu és a égua de âmbar
eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
eu sou o grito do primeiro pássaro
Se tu és a cesta de laranjas
eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
eu sou o caminho de sangue
Octavio Paz, in "Salamandra"
(Cidade do México, 31 de Março de 1914 — Cidade do México, 19 de Abril de 1998)
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Zé Paulo
Circunferências
Cúpula da Ópera do Arame
Brasil, Paraná, Curitiba
Foto de Zé Paulo
Abril/12
"A poesia expande a circunferência da imaginação ao enchê-la com o pensamento de constantes e novos prazeres"
Percy Bysshe Shelley (1792-1822), poeta e escritor inglês, em Uma Defesa da Poesia e Outros Ensaios.
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Zé Paulo
domingo, 15 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
A família vizinha
A Corujinha
Corujinha, coru....jinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, pobre...zinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coita...dinha
Que feinha que é você
Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa como quê
Toda noite tua carinha
Apa...rece na TV
Corujinha, coru...jinha
Que feinha que é você!
Letra e música de Vinícius de Moraes e Toquinho
Família de corujas (filhos e mãe)
Brasil, Paraná, Curitiba
Fotos de Zé Paulo
Março/12
A Corujinha
Corujinha, coru....jinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, pobre...zinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coita...dinha
Que feinha que é você
Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa como quê
Toda noite tua carinha
Apa...rece na TV
Corujinha, coru...jinha
Que feinha que é você!
Letra e música de Vinícius de Moraes e Toquinho
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Zé Paulo
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Pegadas - I
Pegadas de lobos, adulto e filhote
Brasil, Mato Grosso, Campos de Júlio
Fotos de Zé Paulo
Fevereiro/12
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Zé Paulo
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
A coruja
A coruja
Brasil, Mato Grosso, Campos de Júlio
Foto de Zé Paulo
Fevereiro/12
Coruja, ó Coruja, ouça minha súplica,
E não destrua meu ninho, coruja.
Você já me arrebatou meus filhotes,
Embora eu dêles cuidasse
Com todo amor e carinho.
Tenha pena de mim, tenha pena de mim!
Ouça minha prece.
Antes que as nuvens obscureçam os céus,
Protejo as raízes da amoreira.
Ao redor da porta e da janela,
Eu me agarro firmemente a elas,
E, lançando os olhos para baixo,
- Quem ousa, dentre vocês, desprezar minha
casa?
Puxei com minhas unhas e despedacei-as
E minha bôca e meus dedos ficaram feridos.
Reuni tôda minha força
Para defender-me,
Pois estou decidido a manter a casa perfeita,
E não receio nenhum trabalho com essa intenção.
Minhas asas estão deploravelmente feridas
E minha cauda muito maltratada e fatigada.
Sacudida pelo vento
Enquanto a chuva bate sem piedade,
Oh! minha casa está em perigo
E escrevo esta nota num grito de alarme.
Escrito em 1113 A. C.,
na China, pelo Duque de Chou.
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Zé Paulo
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Ema
Emas
Brasil, Mato Grosso, Campos de Júlio
Fotos de Zé Paulo
Fevereiro/12
O Canto da Ema
A ema gemeu no tronco do juremar
A ema gemeu no tronco do juremar
Foi um sinal bem triste, morena
Fiquei a imaginar
Será que é o nosso amor, morena
Que vai se acabar? (2X)
Você bem sabe, que a ema quando canta
Traz no meio do seu canto um bocado de azar
Eu tenho medo
Pois acho que é muito cedo
Muito cedo meu benzinho
Pra essa amor acabar
Vem morena, vem, vem, vem
Me beijar, me beijar
Dá um beijo, dá um beijo
Pra esse medo
Se acabar
Composição de João do Valle, Aires Viana e Alventino Cavalcanti
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Zé Ramalho
Arco-Íris
Arco-Íris
Brasil, Mato Grosso, Campos de Júlio
Foto de Zé Paulo
Fevereiro/2012
O arco-íris
que brota do chão
sete cores o enfeitam
parece pintado à mão.
O arco-íris
será um dia
um grande escorregador
de alegria.
O arco-íris
não há mais nada a dizer
além de um sonho
o que mais pode ser.
Clarice Pacheco (1989 - 2002)
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Zé Paulo
domingo, 29 de janeiro de 2012
Na areia da praia
Na areia da praia
Brasil, Paraná, Balneário de Ipanema
Fotos de Zé Paulo
Aqui na orla da praia,....
Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.
Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.
Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.
Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935),
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Zé Paulo
Coruja
Coruja
Brasil, Paraná, Balneário de Ipanema
Foto de Zé Paulo
a coruja
são todo ouvidos
os teus olhos
de vigília.
olhos acesos,
luzeiros
de sabedoria.
olhos atentos
à geografia
do dentro
és uma concha.
um encorujado
caramujo.
monja em voto de silêncio.
Sérgio de Castro Pinto - João Pessoa, 1947
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Zé Paulo
Lagarta
Lagarta
Brasil, Paraná, Caiobá
Outubro 2011
Foto de Zé Paulo
A lagarta
Por sobre as ramas da árvore coleia
A lagarta. E a colear, viscosa e lenta,
O seu aspecto as vistas afugenta
E de tocá-la a gente se arreceia.
Verde-negra, amarela, azul, cinzenta,
Quando o sol as folhagens incendeia,
Sobe a aquecer-se, e à luz solar, aumenta
O asco de vê-la repulsiva e feia.
Mais eis que a encerra do casulo a tumba;
Não penseis que, de todo, ela sucumba
No seu sepulcro eternamente presa.
Qual, do corpo, alma livre, desprendida,
É borboleta: evola-se a outra vida,
Voando feliz, na glória da beleza.
Bastos Tigre - Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957
É borboleta: evola-se a outra vida,
Voando feliz, na glória da beleza.
Bastos Tigre - Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957
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Zé Paulo
Ninho
Ninho
Brasil, Paraná, Curitiba
Janeiro 2012
Foto de Zé Paulo
Foto de Zé Paulo
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Miguel Torga - São Martinho de Anta, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995
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Zé Paulo
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Rio Nhundiaquara
Brasil, Paraná, Morretes
Foto de Zé Paulo
Novembro 2011
Tela
Morretense
Morretes dos
dias de canícula,
De ardente
sol abrasador.
Sol
pendurado na celeste gambiarra,
Ativa os
teus atores
No prado e
na Serra,
Ao som do
canto estridente
Da fútil
cigarra.
Mas, à
tardinha,
O ventro
soprando
Da banda do mar,
Transforma o
mormaço
Em brisa
marinha,
Pondo o
sabiá altaneiro a cantar.
E o
Nhundiaquara morno e sereno
A passar
entre seixos, lírios, jasmins.
Outras vezes
encolhendo-se todo
Em poços
profundos.
Sôfrego,
guarda os brancos lírios,
No seu
escuro e misterioso âmago.
E quando a
natureza em fúria,
De nuvens o
Marumbi envolve,
Em catadupa
a água corre,
Em furor o
seu leito cobre,
Levando os
teus belos lírios
Desfalecido
pelo terror.
Cada vez
mais para longe...
Longe...
Para o mar!
(Lúcio Borges)
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Zé Paulo
Negro Gato
Brasil, Paraná, Caiobá.
Foto de Zé Paulo
Negro Gato
Sou um negro gato de arrepiar
Essa minha história é mesmo de amargar
Só mesmo de um telhado, aos outros desacato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Minha triste história, vou lhes contar
E depois de ouvi-la, sei que vão chorar
Há tempos que eu não sei o que é um bom prato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Sete vidas tenho, para viver
Sete chances tenho, para vencer
Mas se não comer, acabo no buraco
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Um dia lá no morro, pobre de mim
Queriam a minha pele, para tamborim
Apavorado desapareci no mato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Sete vidas tenho para viver
Sete chances tenho para vencer
Mas se não comer, acabo no buraco
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Um dia lá no morro, pobre de mim
Queriam a minha pele, para tamborim
Apavorado desapareci no mato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
Eu sou um negro gato
(Letra da música "Negro Gato" do Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
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